• Cleise Souza

Mapa Metafórico: A árvore que não se cuidava

Eu sou a Moringa. Uma árvore de tronco discreto, porém os meus ramos desenvolvem até 10 metros de comprimento. Mas que culpa tenho?

Quando me plantaram há mais ou menos 10 anos atrás, com certeza, os humanos não sabiam disso. Mas eu sou muito mais velha. A minha semente é septuagenária. Fiquei guardada por muitos e muitos anos num galpão, dentro de uma gaveta do balcão central até ser vendida por quem me plantou.

Hoje eu sou fruto de discórdia nos quintais alheios.

Já fui insultada, podada, machucada de todas as formas, mas sobrevivi.

Sou forte. As minhas raízes profundas estão alicerçadas no solo que tem nutrientes quem me deixam a cada dia mais forte e saudável.

Sim, já tentaram me eliminar do Planeta Terra, mas eu estou aqui. A cada dia mais exuberante, cumprindo a minha missão.

Dia destes fui caso de Polícia, de justiça, de briga entre vizinhos.

O indivíduo que me plantou nem sabe quem sou eu. Não sabe dos meus poderes e nem da minha força. Me plantou rumo ao um murinho baixo, fraco...

Fui crescendo, pois este é o meu destino.

E ao crescer, não tinha espaço do lado direito, pois aqui deste lado tem mais árvores e eu não sou contorcionista.

Tive que me virar e fui crescendo para o lado esquerdo.

Ai a briga começou: sou tachada de sujar, com as minhas folhas, a calcada, os quintais, e até entupir as calhas de chuva no telhado de uma garagem.

Meus amigos, os fios de luz, também passam por aqui. Falaram também que eu causaria um curto circuito. Mas que nada. Eles me aceitam, e se deixam abraçar por mim.

Só sei dizer que os humanos são criaturas muito complicadas. Geralmente, só vêem o exterior.

Me rotulam, me depreciam, tentam me matar, mas ainda não descobriram que eu sou uma planta Curativa .Isso mesmo.

Na verdade, as minhas folhas são nutritivas, pequenas e saborosas. Podem ser refogadas ou cozidas no vapor, bem como as minhas vagens verdes.

Se colocadas as minhas sementes secas em recipientes de água potável da casa, purifico a água. Além disso as minhas sementes também produzem o óleo de Bem, usado em pinturas artísticas.

Além das minhas propriedades alimentícias, tenho valor medicinal. Sou usada na África usada na África por pessoas com o vírus HIV como combate aos efeitos debilitadores dessa doença. Por ser rica em proteínas, vitaminas e sais minerais, sou também poderosa arma contra a desnutrição crônica. Resultados positivos ocorreram no tratamento de câncer da próstata, reumatismo, tumores, lupus, artrites e outras doenças auto-imunes, bem como hipertensão arterial, hepatite, epilepsia, fadiga crônica, males causados pelo tratamento de câncer, tratamento pré-natal, glaucoma, cura de irritação gastro-intestinal, de dermatoses, bronquites e inflamações de mucosas em lactentes. Minhas raízes são laxativas mas também abortivas e as flores e sementes são vermífugas. Além disso, produzo efeito renovador das células epiteliais, dos órgãos sexuais e do cérebro.

Eu sei do meu valor, mas as outras pessoas não sabem.

Muitos me acham imponente, nariz empinado, irônica e auto suficiente. Mas eu não sou assim. Nunca fui. Na verdade sou uma guerreira. Fui aquela que cuida, que controla. E as dificuldades da vida me fizeram rígida. Muitas vezes chorando, eu sorria. Mas sempre me posicionei com discrição.

Três vezes na vida, as minhas vagens explodiram tão fortemente que nasceram mais três mudinhas. E eu sempre fiz de tudo, dei o meu melhor para que elas crescessem fortes e fossem do bem.

Destas mudas, duas se rebelaram contra mim e uma mudinha, a menor, ficou grata a mim pela vida e me reverencia como árvore-mãe.

Sempre achei que a questão era comigo. E diversas vezes me perguntei: O que fiz de errado? Onde errei? Mas sinceramente, não consegui achar a resposta, porque não está em mim e não depende de mim.

Mas como eu não tinha essa percepção de hoje, me deixei ferir por longos anos. Há 22 anos, sofri um grande golpe. Ainda não tinha sido plantada. Mas lá naquele galpão fui escolhida por um agricultor que muito me desejava, mas de repente, ele viu outras sementes e se encantou por elas.

Fiquei atônita. Como poderia ser isso? Por que ele disse que cuidaria de mim, que gostaria de ver os meus frutos e me descartou assim?

Do meu caule saía um líquido semelhante ao leite e não deu outra, após 8 anos de angústia e desafios, quando pensei que tudo pudesse ser resolvido, afinal outro agricultor poderia me escolher, sofri outro golpe. Me jogaram em um gaveta do lado direito do balcão sujo e eu amarguei por 6 anos.

Sentia-me injustiçada,. Gostaria muito de ser escolhida, mas não fui. Continuava ali na gaveta do lado direito do balcão.

Até que em um dia de verão, um homem da cidade, não um agricultor, me escolheu e me plantou.

E a minha vida foi sendo levada a me recuperar daquela mágoa infinda. Porém, sem me dar conta há dois anos a minha estrutura foi novamente abalada e atualmente a mágoa voltou com força total, instalando em minhas vísceras, tal qual dois pontos obscuros a me lembrar de que eu posso fazer diferente.

Às vezes me pego a pensar e me dói muito perceber que paguei muito caro com o meu tronco, as minhas folhas, minhas vagens por não ter cuidado de mim. Só não sucumbi porque as minhas raízes são profundas.

Estou em nova fase. Fase de transformação, de transmutação. E quem me lembra disso são as minhas flores de tom violeta claro.

Estou me transformando. Aprendi que preciso cuidar de mim.

Não importa o que os outros pensam.

Quero ser eu mesma. Voltar à minha essência que é dócil, leve e delicada.

Se as pessoas não sabem quem sou, não me importo mais.

Cansei de controlar, cansei de tentar mostrar para as pessoas a minha fragilidade, o meu lado feminino.

Hoje quando olho para o astro rei, um sol dourado, sinto gratidão. Quando vem a chuva a me molhar, também agradeço pela água a me purificar.

Se venta muito, vou no embalo da brisa e balanço de lá para cá com flexibilidade e leveza.

E se os humanos brigam por minha causa, sorrio ou rio achando tudo muito pequeno diante da minha grande missão. Sim, eu sei a que vim e vou continuar a frutificar, a dar sombra para os transeuntes, a embeleza aqui onde fui plantada, porque é aqui que devo florescer


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